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Reflexão Diária: 31 de Janeiro

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Não preciso de escoras

nem de corrimãos.

Sei quem sou.

Estou sozinho num universo hostil

e aprendi a dizer: que seja!

(mestre Juan Matus)

Carlos Castaneda (Escritor e Antropólogo)

Carlos César Salvador Arana Castañeda, mais conhecido simplesmente como Carlos Castaneda (Cajamarca25 de dezembro de 1925 — Los Angeles27 de abril de 1998), foi um escritor e antropólogo formado pela Universidade da Califórnia; notabilizou-se após a publicação, em 1968, de sua dissertação de mestrado intitulada The Teachings of Don Juan - a Yaqui way of knowledge, lançada no Brasil como A Erva do Diabo.[1]

Pôr do sol no deserto de Sonora

Vida e obra

Sua obra consiste em onze livros autobiográficos nos quais relata experiências decorrentes de sua associação com o bruxo conhecido por Don Juan Matus, índio da tribo Yaquis, do deserto de Sonora, no México. Como relata em entrevista para Sam Keen, pensando em ir para o curso de antropologia, buscava a publicação de um artigo científico para dar início à carreira acadêmica. Castaneda havia lido o livro de Aldous Huxley As Portas da Percepção, que havia celebrizado, no mundo ocidental, os efeitos psicotrópicos da mescalinaalcaloide alucinógeno presente em grandes quantidades no botão do cacto de peiote, que era usado de forma ritual por vários povos indígenas americanos. Castaneda havia escrito um pequeno ensaio sobre o livro. Castaneda, então, pesquisou o tema das plantas medicinais em livros como o de Weston La BarreO ritual do peiote, e partiu para o trabalho de campo no sudoeste da Califórnia.

Foi então para o estado de Arizona, onde conheceu o índio bruxo conhecido como Don Juan Matus. Este viria a ser seu guia, e é personagem central nos livros autobiográficos que escreveu. O encontro com o índio foi um episódio marcante, que é recontado várias vezes na sua obra. Numa estação rodoviária, indicado por um colega da faculdade, Castaneda aproximou-se e apresentou-se como especialista em peiote, convidando o índio a lhe conceder uma entrevista. Como não sabia virtualmente nada a respeito do cacto, segundo relata, Don Juan teria captado sua mentira e devolvido-a com um olhar. Este olhar foi bastante significativo, pois Castaneda, normalmente um homem falante e extrovertido, ficou sem ação e tímido ao ser perscrutado. Nas explanações posteriores, diz que Don Juan o havia capturado com o olhar mostrando-lhe o nagualismo, pois havia percebido que Castaneda poderia ser o homem que ele procurava para lhe passar seu conhecimento. Depois de mais alguns encontros, Don Juan lhe anuncia sua decisão e decide levá-lo a experimentar as plantas medicinais que Castaneda tanto pedia.

Aos poucos, o jovem latino e acadêmico foi sendo posto ao encontro de experiências cognitivas que desafiavam o poder de explicação de sua razão, sendo forçado finalmente a mudar toda a sua concepção de mundo em prol das novas explicações que o mestre lhe fornecia e que ia compreendendo, gradualmente. A Erva do Diabo, seu primeiro livro, também tese de mestrado, tornou-se um best-seller entre os jovens do movimento hippie e da contracultura, que, rapidamente, elegeram Castaneda um guru da nova era, formando legiões de admiradores que queriam, por conta própria, reviver as experiências descritas no livro. O livro também era bastante prezado no meio acadêmico, sobretudo porque, em seu princípio, era considerada uma obra de cunho científico. Foi muito criticada por, supostamente, atrair os jovens para o mundo das drogas e do crime.

Uma controvérsia formou-se em torno de sua figura tanto por parte de admiradores, que queriam encontrar Don Juan pessoalmente e, de alguma forma, fazer parte do processo de aprendizado, quanto de céticos, que queriam encontrar motivos para desacreditá-lo academicamente, argumentando que o testemunho fornecido em seus escritos era ficcional e apontando a escassez de fontes documentais sobre sua pesquisa de campo [junto ao] com o mestre indígena. Castaneda foi procurado pela polícia brasileira durante a ditadura militar brasileira e seus livros foram banidos de entrar no Brasil pelo Governo Federal, por se acreditar que o livro incentivava os jovens do movimento hippie ao uso de drogas (no caso, o cacto peiote descrito no livro "A Erva do Diabo").

Em 1973, no auge de sua fama, a conhecida revista norte-americana Time publicou uma extensa matéria de capa sobre o autor. Esta só foi conseguida depois de muita insistência [junto aos] com os agentes literários do autor, que, inclusive, imploraram para Castaneda posar para fotos em ângulos parciais, o que sempre evitava a todo custo. A abrangente matéria notabilizou-se por publicar o resultado de uma suposta investigação envolvendo a biografia de Castaneda antes da fama, a qual tinha, entre seus objetivos implícitos e explícitos, o propósito de retratá-lo como um mentiroso. A reportagem alega que Castaneda era peruano, nascido na andina cidade de Cajamarca. A reportagem cita amigos da terra natal e mesmo uma irmã de Castaneda, falando sobre traços da personalidade de Castaneda, como sendo alguém dono de imaginação fértil e entregue ao vício do jogo e das drogas. Segundo ela, Castaneda seria filho de um relojoeiro e teria nascido no ano de 1925. Aos 24 anos, em 1951, teria decidido imigrar para os Estados Unidos após a traumática morte da mãe, assassinada por seu pai, o que teria sido testemunhado por Castaneda em seus seis anos de vida. No livro de entrevistas "Conversando com Carlos Castaneda", da jornalista Carmina Fort, Castaneda, décadas depois, lamenta a decisão da TIME de publicar estes dados, que teriam sido inseridos porque ela "precisava de uma história". O autor ironiza o esforço da matéria em situar sua ascendência [junto a] de índios sul-americanos.

Em 1973, revê os conceitos apresentados na primeira obra em uma versão de sua tese de doutorado em filosofia intitulada Journey to Ixtlan - Lessons of Don Juan (Viagem a Ixtlan). Como explica no sexto livro, O Presente da Águia, o sistema de interpretações e crenças que se dispôs a estudar terminou por engalfinhá-lo, ao se revelar tão ou mais complexo que o sistema "ocidental" de interpretações do mundo.

Um 13° livro chamado Magical Passes (Passes Mágicos) foi lançado, destoando aparentemente do conjunto da obra, pois parece se aproximar mais de um manual prático de aplicação de exercícios corporais de educação física, embora não o seja.

Livros

  • A Erva do Diabo (The Teachings of Don Juan: A Yaqui Way of Knowledge - 1968)
  • Uma Estranha Realidade (A Separate Reality: Further Conversations with Don Juan - 1971)
  • Viagem a Ixtlan (Journey to Ixtlan: The Lessons of Don Juan - 1972) Tese de PhD de Castaneda na UCLA em 1973 com o título: "Sorcery: A Description of the World"
  • Porta Para o Infinito (Tales of Power - 1975)
  • O Segundo Círculo do Poder (The Second Ring of Power - 1977)
  • O Presente da Águia (The Eagle's Gift - 1981)
  • O Fogo Interior (The Fire from Within - 1984)
  • O Poder do Silêncio (The Power of Silence: Further Lessons of Don Juan - 1987)
  • A Arte do Sonhar (The Art of Dreaming - 1993)
  • Readers of Infinity: A Journal of Applied Hermeneutics - 1996 - Diários do trabalho de Castaneda com suas discípulas ainda não traduzido.
  • Passes Mágicos (Magical Passes: The Practical Wisdom of the Shamans of Ancient Mexico - 1998)
  • O Lado Ativo do Infinito (The Active Side of Infinity - 1999)
  • A Roda do Tempo (The Wheel Of Time: The Shamans Of Mexico - 2000) - uma antologia de citações comentadas.

A interessante travessia de Carlos Castaneda

Carlos Castaneda foi um homem peculiar. Sábio para alguns, vigarista para outros. Este artigo expõe brevemente a sua história.
A interessante travessia de Carlos Castaneda
Carlos Castaneda foi um homem difícil de classificar. Para um grande número de pessoas, era um sábio à frente do seu tempo, dotado de uma lucidez que impressionava. Para outros, um charlatão que especulava com as crenças ancestrais e que se tornou milionário vendendo livros que não diziam nada.

Seu nome verdadeiro era Carlos César Salvador Arana Castañeda, e nasceu em Cajamarca (Peru) em 25 de dezembro de 1925. Embora afirmasse ser brasileiro, há cópias de sua certidão de nascimento no país inca.

Era filho de um joalheiro e uma dona de casa. Estudou pela primeira vez em sua cidade natal e depois terminou o ensino médio em Lima. Depois, estudou na Escola de Belas Artes e, quando sua mãe morreu, viajou para os Estados Unidos.

“Observe cada caminho de perto então faça a si mesmo esta pergunta crucial: meu coração me leva por esse caminho? Se o levar, então a estrada é boa. Se não, é inútil.”
-Carlos Castaneda-

Em São Francisco, fez alguns cursos de redação criativa e jornalismo. Ele então formou-se em Artes Plásticas na UCLA e, mais tarde, obteve um doutorado em antropologia.

Os dados sobre sua vida são difusos e imprecisos, pois ele próprio foi responsável por apagar seus rastros quando iniciou seu processo de transformação espiritual.

O que se sabe é que, quando se naturalizou nos Estados Unidos, adotou apenas o sobrenome de sua mãe e substituiu o ‘ñ’ por um ‘n’. Desde então, seu nome oficial foi Carlos Castaneda.

Aspectos da vida de Carlos Castaneda
Inicialmente, Carlos Castaneda não teve uma vida fácil nos Estados Unidos. Ele teve que vender hambúrgueres nas ruas, trabalhar como motorista de táxi e até como cabeleireiro.

Desde 1960, antes de se formar como antropólogo, ele entrou em contato com don Juan Matus, um xamã da comunidade yaqui no deserto de Sonora, no México. Esse vínculo permaneceu até 1973.

Foto de Carlos Castaneda jovem
Também em 1960, Castaneda se casou com Margaret Runyan. No entanto, alguns meses depois ele a deixou por outra jovem chamada Mary Joan Barker. Carlos Castaneda admitiu que teve uma filha chamada Marilyn Castañeda, a quem ele nunca reconheceu.

Aparentemente ele reconheceu outras crianças, embora não fossem biológicas. Já sua filha natural e biológica não foi sequer mencionada em seu testamento multimilionário.

Em seus últimos anos, Carlos Castaneda teve várias mulheres que lhe serviam como “acólitas”. Segundo Amy Wallace, filha do escritor Irving Wallace, três delas faziam parte de seu círculo íntimo.

Todas elas eram suas amantes e, aparentemente, concordaram em cometer um suicídio coletivo com a morte de Castaneda.

Uma transformação espiritual
Carlos Castaneda tornou-se mundialmente famoso graças à publicação de seu livro Os Ensinamentos de Don Juan, uma forma de conhecimento yaqui. A primeira edição teve um prefácio de Octavio Paz.

O texto inclui as conversas de Castaneda com Don Juan Matus, com quem ele supostamente iniciou um processo de aprendizagem para se tornar um xamã nagual tolteca.

Segundo Castaneda, Don Juan era o líder do último grupo de feiticeiros de uma longa dinastia. Em seus livros, no entanto, Castaneda combina a sabedoria yaqui com as tradições toltecas e até mesmo com aspectos das artes marciais.

Do ponto de vista antropológico, seu trabalho não é verificável e, portanto, não tem validade.

Um dos aspectos que mais chamaram a atenção em seu trabalho foi a descrição de estados alterados de consciência induzidos por alucinógenos. Aparentemente, Don Juan o introduziu ao uso do peiote.

Castaneda não apresentou os diários de campo da experiência, aspecto que faz muitos pensarem que Don Juan nem sequer existia. Para eles, toda a narrativa nada mais é do que ficção literária.

Ilustração de região árida
Uma história com muitas lacunas
Carlos Castaneda não permitia que o gravassem ou fotografassem. Depois de ter feito várias publicações na mesma linha que a primeira, em 1993 ele anunciou que iria anunciar os “passes mágicos”.

Ele criou a fundação Cleargreen para divulgar sua nova abordagem. A partir de então, fez várias aparições públicas.

Desde o início, o trabalho de Carlos Castaneda provocou um grande alvoroço. Ele teve seguidores em todo o mundo, verdadeiros fãs de seu trabalho. Entre eles estavam John Lennon, Deepak Chopra e Federico Fellini.

Ao mesmo tempo, nos círculos científicos, seu trabalho era visto com enorme suspeita. Até o FBI seguiu seus passos ao suspeitar de que era o líder de uma seita perigosa.

Em sua obra, há uma grande contradição de datas. Há também dados sobre a cultura yaqui que não coincidem com os coletados pelos estudiosos da disciplina. Apesar das fortes dúvidas deixadas pela obra de Castaneda, ele ainda tem milhares de seguidores em todo o planeta.

Castaneda morreu em Los Angeles, em 1998, vítima de câncer no fígado. No entanto, não houve sinal do fogo interno que ele previu que o consumiria de dentro para fora e que o levaria envolto em uma luz para outra dimensão.

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